quinta-feira, setembro 27, 2007

Diário de um(a) "estudante" de Medicina

Ontem peguei num bébé recém-nascido que era, citando uma expressão muito usada pelo meu pai, um "batata", pesava 4450 gramas ("Era um latagão do caraças!" - Hygieia).
Menino, rosado e calminho, o Abraão (nome alterado para manter sigilo profissional) foi vítima das manápulas de quatro futuros médicos, que, com muito medo e algum receio, lhe fizeram o exame físico neurológico.
O clímax do exame foi a manobra de Moro, querendo despertar-lhe um reflexo específico seguramos-lhe a cabeça para depois deixá-la cair (calma, agarramo-la logo a seguir) temendo pela integridade física do "miúdo" (Perdoe-me o Professor Terras pela expressão mas até lhe acharia feio já que era rechonchudo), foi também o momento alto do meu dia.
Uma apresentação de manhã que, sinceramente, não me "aqueceu nem arrefeceu", depois a aula de suporte básico de vida em que pude, finalmente, beijar um boneco (sensualíssimo!), um almoço medíocre (típico da cantina excepto quando é mau) e, à tarde, arremessar a cabeça de bébés para ver se são saudáveis. Foi um dia bom.

Próximo!

quinta-feira, julho 26, 2007

Carlos Drummond de Andrade

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da terra, além do céu
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastros dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fudamental essencial
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar
o verbo pluriamar,
razão de ser e viver.

sexta-feira, julho 13, 2007

quarta-feira, julho 11, 2007

Mais um de Pessoa

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há uma coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?

Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz

sexta-feira, julho 06, 2007

Uma história...

http://www.sacbee.com/static/newsroom/swf/april07/mother/


A história tem um final triste, mas mostra de forma comovente a coragem, a preseverança e a luta de uma mãe que tentou sempre, mesmo nos momentos mais dificeis, que o seu filho tivesse um final feliz. Não teve um final feliz mas teve certamente muito amor para suportar o final. Concordando ou não com a forma como tudo terminou ( eu tenho tendência a não concordar com o principio geral, se bem que cada caso é um caso), ainda assim esta história mostra duas coisas essenciais, a importância de não perdermos a esperança e também que mesmo nas situações mais desesperadas os afectos, mais do qualquer analgésico, podem ajudar a suportar a dor e o sofrimento. Fica a mensagem, mas neste caso aplica-se mesmo bem a expressão: "uma imagem vale mais que mil palavras".

sexta-feira, maio 25, 2007

A Independência da Solidão

"O que me importa unicamente é o que tenho de fazer, não o que pensam os outros. Esta regra, igualmente árdua na vida imediata como na intelectual, pode servir para a distinção total entre a grandeza e a baixeza. E é tanto mais dura quanto sempre se encontrarão pessoas que acreditam saber melhor do que tu qual é o teu dever. É fácil viver no mundo de conformidade com a opinião das gentes; é fácil viver de acordo consigo próprio na solidão; mas o grande homem é aquele que, no meio da turba, mantém, com perfeita serenidade, a independência da solidão."

Ralph Waldo Emerson, in "Essays"

terça-feira, maio 22, 2007

É Bonito!!!

"E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."

Fernando Pessoa

domingo, fevereiro 18, 2007

Amor como Depravação do Nervo Óptico

Entendem cordatos fisiologistas que o amor, em certos casos, é uma depravação do nervo óptico. A imagem objectiva, que fere o órgão visual no estado patológico, adquire atributos fictícios. A alma recebe a impressão quimérica tal como sensório lha transmite, e com ela se identifica a ponto de revesti-la de qualidades e excelências que a mais esmerada natureza denega às suas criaturas dilectas. Os certos casos em que acima se modifica a generalidade da definição vêm a ser aqueles em que o bom senso não pode atinar com o porquê dalgumas simpatias esquisitas, extravagantes e estúpidas que nos enchem de espanto, quando nos não fazem estoirar de inveja.
E tanto mais se prova a referida depravação do nervo que preside às funções da vista quanto a alma da pessoa enferma, vítima de sua ilusão, nos parece propensa ao belo, talhada para o sublime e opulentada de dons e méritos que o mais digno homem requestaria com orgulho.

Camilo Castelo Branco, in 'Coração, Cabeça e Estômago'

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Eu até queria por a imagem...

http://www.ociototal.com/naturismo/adn/ediciones/2005/img/yoga.jpg

Ok, esta foi pra descontrair :/ Mas eu prometo que vou tentar começar a escrever coisas inteligentes. O que acham da tal ideia de convidar ppl de outras facs (até de outros países) pra participar no blog e trocar ideias e experiências do que é estudar medicina?

Abraço

terça-feira, janeiro 09, 2007

Bora fazer uma vaca...



Bora fazer uma baca pra recolher € pra comprar uma prenda e tal, pra uma prof. fixe que vai ter rebentos :) Bora?

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Para o novo ano!

Com o novo ano a aproximar-se, achei por bem deixar aqui no blog uma citação que para mim faz muito sentido e que por isso não podia deixar de partilhar com os leitores do blog (essas fantásticas 5 ou 6 pessoas...lol).


"Our greatest glory is not in never falling, but in rising every time we fall."
(Confucius)


A todos um excelente ano de 2007.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

E esta hein?

Na imprensa (Correio da Manhã) em 21/12/2006:

"Amanhã, pelas 15h00, decorrerá uma manifestação pela paz e o amor. Os participantes comprometem-se a praticar sexo para obter a paz na Terra. ‘Orgasmo Global’ é uma iniciativa de activistas norte-americanos que defendem que a libertação de energias no clímax do acto sexual trará a paz ao Mundo.
Com a ajuda dos internautas, a iniciativa rapidamente correu o planeta e está ao alcance de qualquer um. Contudo, especialistas na área da sexologia discordam que a paz mundial possa ser obtida desta forma.
s investigadores encontram, no entanto, um aspecto positivo na ideia: a divulgação do orgasmo enquadrada nesta iniciativa é uma nova possibilidade para as pessoas perceberem as vantagens que a sua prática promove ao nível da saúde.

INJECTAR ENERGIA NA TERRA

Donna Sheepham e Paul Reffell, autores da iniciativa, acreditam que a razão da guerra é o desejo do homem em impressionar outro homem. Numa linguagem simples, dizem que o conflito armado traduz a ideia de que “o meu míssil é maior do que o teu”.

Para os promotores, é necessário destruir aquela prática pelo que, com a iniciativa, pretendem que a humanidade “injecte energia positiva no campo magnético da Terra”. Assim, quantas mais forem as pessoas a atingir o orgasmo amanhã, pelas 15h00, maior será o contributo para “a redução dos perigosos níveis de agressão e violência em todo o Mundo”"


É capaz de ser mesmo a única maneira de fazer o mundo convergir numa mesma ideia. Não sei se liberta energia para a paz ou não, mas que deixa as pessoas mais felizes e com energias mais positivas, disso não tenho dúvidas; portanto façam-no, senão por motivos altruístas, pelo menos pelo vosso bem estar! lol

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Na montra de uma loja

"A dress makes no sense unless it inspires men to want to take it off you"

Françoise Sagan